Como a Nova Zelândia reduziu o estado, enriqueceu e virou a terceira economia mais livre do mundo
por Maurice McTigue
Na década de 1980, a
Nova Zelândia, que até então havia sido um país rico, era um país relativamente
atrasado (a renda per capita era igual às de Portugal e Turquia), estagnado e
sem grandes perspectivas. A economia era engessada, fechada, protegida e
ineficiente.
Até que, em meados da
década de 1980, um governo de esquerda fez o inimaginável e adotou medidas
contrárias a esta ideologia: austeridade monetária e fiscal, redução dos
privilégios, abolição de várias tarifas protecionistas e, principalmente, forte
redução da máquina pública, com a demissão de vários funcionários públicos.
Liderando esse processo,
em conjunto com Roger Douglas, estava Maurice P. McTigue, ex-ministro do
governo trabalhista eleito em 1984. A seguir, uma palestra educacional de
McTigue, chamada Reduzindo o Governo: Lições da Nova
Zelândia
Se olharmos para a
história, notaremos que o crescimento do governo é um fenômeno recente.
Desde a década de 1850
até as décadas de 1920 ou 1930, a fatia que o governo ocupava no PIB da maioria
das economias industrializadas do mundo raramente ultrapassava os 6%.
Porém, desse período em diante — e em particular desde os anos 1950 —,
vivenciamos uma explosão maciça na fatia que o governo ocupa no PIB. Em
alguns países, o valor varia de 35 a 45%. (No caso da Suécia, houve um ponto que chegou a 65%,
e o país quase que se autodestruiu como resultado. O país agora está desmantelando alguns de seus programas sociais
para se manter economicamente viável).
Pode esta situação de
agigantamento do estado ser interrompida ou mesmo revertida? Com base em minha
experiência pessoal, a resposta é "sim". No entanto, isso não apenas
requer altos níveis de transparência, como ainda é necessário saber lidar com
as consequências severas de eventuais decisões erradas — e essas não são coisas
fáceis.
A primeira mudança
necessária está na mentalidade da população. Tem de haver uma mudança na
forma como as pessoas vêem as atribuições do governo e suas responsabilidades,
principalmente a fiscal. A antiga ideia de responsabilidade fiscal
simplesmente dizia que o governo não deveria gastar mais dinheiro do que
arrecadou. A nova ideia de responsabilidade fiscal tem de se basear na seguinte
pergunta: "O que é que obtivemos em termos de benefícios públicos como
resultado do gasto deste dinheiro?".
Esta é uma pergunta que
sempre foi feita no setor privado, mas que raramente foi a norma para o setor
público. E os governos que resolveram lidar com essa questão apresentaram
resultados extraordinários. Esta foi certamente a base das reformas
bem-sucedidas no meu próprio país, a Nova Zelândia.
A renda per capita da
Nova Zelândia no período anterior ao final da década de 1950 era a terceira
maior do mundo, atrás apenas de Estados Unidos e Canadá. Porém, já em 1984, a
renda per capita havia caído para 27º posição, ao lado de Portugal e Turquia.
Não apenas isso, a nossa taxa de desemprego era de 11,6%, tínhamos tido 23 anos
sucessivos de déficits (os quais, em algumas ocasiões, chegavam a 40% do PIB),
a nossa dívida pública havia alcançado para 65% do PIB, e as nossas
classificações de risco — concedida pelas agências Standard & Poor's,
Moody's e Fitch — eram continuamente rebaixadas.
Os gastos do governo
chegavam a 44% do PIB, os investimentos estavam em queda, os investidores
estrangeiros estavam abandonando o país, e o governo queria gerenciar
praticamente todas as atividades da economia, desde as grandes empresas até as
mercearias. Havia controle de capitais e controle de câmbio, o que
significava que eu não podia comprar uma assinatura da revista The Economist sem a autorização do Ministério das
Finanças. Eu não podia comprar ações de uma empresa estrangeira sem abrir mão
da minha cidadania.
Havia controle de preços
em todos os bens e serviços, em todas as lojas e em todo o setor de serviços.
Havia controle de salários e até mesmo congelamento de salários. Patrões
que eventualmente quisessem conceder aumentos salariais aos seus funcionários —
ou mesmo pagar-lhes um bônus — estavam legalmente proibidos.
Havia controle de
importação, com o governo determinando quais bens eu podia trazer para o meu
país.
Havia maciços subsídios
às indústrias, a fim de mantê-las viáveis.
Os jovens neozelandeses
estavam deixando o país em massa.
Gastos do governo e
impostos
Quando um governo
reformador foi eleito, em 1984, ele imediatamente identificou três problemas:
gastos excessivos, impostos excessivos, e excesso de governo. A questão era
como cortar gastos e impostos e como diminuir o papel do governo na economia.
Bem, a primeira coisa a
se fazer nesta situação é descobrir o que se está recebendo em troca de cada
unidade de dinheiro gasto. Pare este fim, implantamos uma nova política,
segundo a qual o dinheiro não seria simplesmente distribuído aos ministérios,
agências e repartições governamentais; em vez disso, haveria um contrato com os
altos funcionários de cada órgão do governo, claramente delineando o que era
esperado em troca do dinheiro alocado.
Os líderes de cada órgão
do governo passaram a ser escolhidos com base em critérios rigorosos. Foi
feita uma seleção em nível mundial e os escolhidos receberam contratos a termo:
cinco anos com uma possível extensão de mais três anos. O único fundamento para
a sua demissão era a não-execução do que fora acordado, de modo que um governo
recém-eleito não pudesse simplesmente mandá-los embora como havia acontecido
com os funcionários públicos no sistema antigo.
Obviamente, com esse
tipo de incentivo, os novos líderes dos órgãos do governo — tais como os CEOs
do setor privado — se certificaram de que seu grupo de subordinados também
tivesse objetivos muito claros, os quais se esperava que também fossem
cumpridos.
A primeira medida que
tomamos em relação a cada órgão tinha como base as políticas a serem adotadas.
Isso tinha o objetivo de gerar um vigoroso debate entre o governo e os líderes
de cada órgão sobre como alcançar metas do tipo "reduzir a fome" e o
"número de sem-tetos". Isto não significava, vale enfatizar, que o
governo deveria fornecer casa e comida para as pessoas. O que realmente era
debatido era o grau em que a fome e o número de sem-tetos seria realmente reduzido.
Em outras palavras,
deixamos claro que o que era importante não era quantas pessoas estavam
recebendo políticas assistencialistas, mas sim quantas pessoas estavam saindo
do assistencialismo, deixando de depender do estado e passando a viver com
independência.
Tão logo começamos a
trabalhar por meio deste processo, fizemos algumas perguntas fundamentais aos
ministérios e agências. A primeira pergunta foi: "O que vocês estão
fazendo?". A segunda pergunta foi: "O que vocês deveriam estar
fazendo?".
Com base nas respostas,
dissemos: "Eliminem o que não deveriam estar fazendo" — isto é, se
estão fazendo algo que claramente não é responsabilidade do governo, parem de
fazer isso.
E então fizemos a
pergunta final: "Quem deveria estar pagando por isso — os pagadores de
impostos, o usuário, o consumidor ou a indústria?". Perguntamos isto
porque, em muitos casos, os pagadores de impostos estavam subsidiando coisas
que não os beneficiavam. Quando você afasta o custo dos serviços dos seus
reais usuários e consumidores, você inevitavelmente acaba promovendo o uso
excessivo destes serviços e, com isso, desvaloriza o que quer que esteja sendo
feito.
Quando começamos este
processo com o Ministério dos Transportes, o mesmo tinha 5.600 funcionários.
Quando terminamos, tinha apenas 53. Quando começamos com o Ministério do Meio
Ambiente, o mesmo tinha 17.000 funcionários. Quando terminamos, tinha 17.
Quando aplicamos isso ao Ministério das Obras Públicas, o mesmo tinha 28.000
funcionários. Quando terminamos, tinha apenas um: eu mesmo. Eu fui
Ministro das Obras Públicas e acabei sendo o único funcionário deste órgão.
Neste último caso, quase tudo que o ministério fazia era construção e
engenharia; mas havia muitas pessoas que poderiam fazer tudo isso sem o
envolvimento do governo.
"Ah, mas você
destruiu todos os postos de trabalho!", você pode me dizer. Só que
isso simplesmente não é verdade. O governo deixou de empregar pessoas naqueles
postos de trabalho, mas a necessidade daquele trabalho não desapareceu. Eu
mesmo visitei alguns dos trabalhadores florestais alguns meses depois de terem
perdido seus empregos no Ministério do Meio Ambiente, e eles estavam bastante
felizes. Eles me disseram que estavam ganhando cerca de três vezes o que
costumavam ganhar — além disso, eles ficaram surpresos ao saber que conseguiam
fazer cerca de 60% mais do que aquilo a que estavam habituados. A mesma lição
se aplica aos outros trabalhos que mencionei.
Algumas das coisas que o
governo estava fazendo simplesmente não eram função do governo. Por isso
vendemos telecomunicações, companhias aéreas, sistemas de irrigação, serviços
de informática, gráficas governamentais, empresas de seguro, bancos, ações,
hipotecas, ferrovias, serviços de ônibus, hotéis, empresas de navegação,
serviços de assessoramento agrícola etc.
Resultado principal:
quando vendemos estas coisas, sua produtividade subiu e o custo dos seus
serviços caiu, traduzindo-se em ganhos importantes para a economia.
Além disso, decidimos
que outros órgãos deveriam ser geridas como empresas com fins lucrativos e que
pagam impostos. Por exemplo, o sistema de controle de tráfego aéreo foi
transformado em uma empresa autônoma, cujo objetivo era obter uma taxa de
retorno aceitável e pagar impostos, tendo sido alertada de que não receberia
qualquer aporte, investimento ou capital de seu proprietário (o governo).
Fizemos o mesmo com
aproximadamente 35 órgãos. Juntos, eles nos custavam cerca de um bilhão de
dólares por ano; depois, passaram produziram cerca de um bilhão de dólares por
ano em receitas e impostos.
Conseguimos uma redução
global de 66% no tamanho do governo, mensurado pelo número de funcionários. A
fatia que o governo ocupava no PIB caiu de 44 para 27%. Estávamos agora com
superávit e estabelecemos uma política de nunca deixar dólares à disposição: sabíamos
que se não nos livrássemos desse dinheiro, algum engraçadinho o gastaria em
proveito próprio. Consequentemente, utilizamos a maior parte do superávit para
pagar a dívida, de modo que a dívida baixou de 63 para 17% do PIB.
O que restava do
superávit de cada ano foi utilizado para reduzir a carga de impostos. Reduzimos
as alíquotas do imposto pela metade e eliminamos outros impostos. Como
resultado destas políticas, a receita aumentou 20%. Sim, Ronald Reagan estava
certo: alíquotas de imposto menores produzem mais receitas.
Subsídios, educação e
competitividade
O que dizer sobre a
invasão governamental que ocorre sob a forma de subsídios?
Em primeiro lugar, temos
de reconhecer que o principal problema dos subsídios é que eles tornam as
pessoas dependentes; e quando você torna as dependentes, elas perdem a sua
criatividade e toda a sua capacidade de inovação, tornando-se ainda mais
dependentes.
Deixem-me dar um
exemplo: em 1984, 44% da renda da criação de ovelhas na Nova Zelândia era
oriunda de subsídios do governo. O produto principal era o cordeiro e, no
mercado internacional, o cordeiro era vendido a 12,50 dólares americanos (com o
governo neozelandês fornecendo mais 12,50 dólares americanos) por unidade. Nós
então abolimos, em apenas um ano, todos os subsídios. Obvia- mente, os criadores
de ovelhas não ficaram nada satisfeitos.
Porém, tão logo eles
perceberam que a decisão era permanente, que os subsídios não iram voltar, eles
montaram uma equipe de pessoas encarregadas de descobrir como poderiam obter 30
dólares por unidade. A equipe concluiu que isso seria difícil, mas não
impossível. Era necessário produzir um produto inteiramente diferente,
processá-lo de uma maneira diferente e vendê-lo em diferentes mercados.
Dois anos se passaram e,
em 1989, haviam conseguido converter o seu produto de 12,50 dólares em algo
cujo novo valor era de 30 dólares. Por volta de 1991, valia 42 dólares; em
1994, valia 74 dólares; e em 1999, valia 115 dólares.
Em outras palavras, a
indústria de ovelhas da Nova Zelândia "saiu para o mercado" e
descobriu pessoas que estavam dispostas a pagar preços mais elevados pelo seu
produto.
Hoje, vocês podem ir aos
melhores restaurantes dos EUA e comprar cordeiro da Nova Zelândia e pagar algo
entre os 35 e os 60 dólares por libra (cerca de 450g).
Desnecessário dizer que,
quando abolimos todos os subsídios do governo à indústria, foi amplamente
previsto que haveria um enorme êxodo de pessoas fugindo desses setores. Mas
isso não aconteceu. Para dar um exemplo, apenas 0,75% dos empreendimentos agropecuários
apresentaram prejuízos e quebraram – e essas eram pessoas que nem sequer
deveriam estar no ramo. Adicionalmente, alguns previram um grande
movimento em direção à organização corporativa em oposição à agropecuária
familiar. Mas ocorreu exatamente o oposto. Em vez de uma expansão na
agropecuária corporativa, foi a agropecuária familiar que se expandiu.
Todos viraram empreendedores, provavelmente porque as famílias estão dispostos
a trabalhar por menos do que as empresas.
No final, foi a melhor
coisa que poderia ter acontecido. E demonstrou que se as pessoas tiverem como
única opção serem criativas e inovadoras, elas irão encontrar soluções.
A Nova Zelândia tinha um
sistema educacional que também estava se comprovando um fracasso. A taxa
de repetência chegava a 30% das crianças — especialmente aquelas em áreas
socioeconômicas mais baixas. Ao longo dos 20 anos anteriores, o governo
despejava cada vez mais dinheiro na educação, e os resultados eram cada vez
piores. Custava-nos duas vezes mais para obter um resultado pior do que o que
tinha sido obtido 20 anos antes com muito menos dinheiro.
E então decidimos
repensar o que estávamos fazendo nesta área também. A primeira coisa que
fizemos foi identificar para onde estavam indo os dólares despejados na
educação. Contratamos consultores internacionais (porque não confiávamos nos
nossos próprios órgãos para executar esta tarefa) e eles relataram que, para
cada dólar que gastávamos com educação, 70 centavos eram consumidos pela
administração.
Assim que ouvimos isto,
eliminamos imediatamente todo o Ministério da Educação. Cada escola passou a
ser administrada por um conselho de gestores eleito pelos pais das crianças que
frequentavam aquela escola, e por mais ninguém. Demos às escolas uma
quantia de dinheiro com base no número de alunos que matriculados nas mesmas,
sem impor condições especiais. Ao mesmo tempo, dissemos aos pais que eles
tinham o direito absoluto de escolher onde os seus filhos seriam educados. É
absolutamente detestável que seja um burocrata qualquer diga aos pais que eles
têm de mandar os seus filhos para uma escola ruim. Convertemos 4.500 escolas a
este novo sistema em um único dia.
Mas nós fomos ainda mais
longe: tornamos possível às escolas privadas serem financiadas exatamente da mesma
forma que as escolas públicas, dando aos pais a capacidade de gastar seu
dinheiro onde quer que eles escolhessem. Mais uma vez, várias pessoas previram
que haveria um grande êxodo de estudantes do ensino público para as escolas
privadas, pois as escolas privadas demonstravam uma superioridade acadêmica de
14 a 15%. Isso não aconteceu, pois a diferença de desempenho entre as escolas
desapareceu em cerca de 18-24 meses. Por quê? Porque repentinamente os
professores das escolas públicas perceberam que, se eles perdessem alunos,
perdiam o financiamento; e se eles perdessem o financiamento, perderiam seus
empregos.
Oitenta e cinco por
cento dos nossos alunos iam para escolas públicas no início deste processo.
Este número caiu para apenas 84% depois do primeiro ano das reformas. No
entanto, três anos depois, 87 por cento dos estudantes estavam em escolas
públicas. Mais importante, o nível educacional da Nova Zelândia, que até então
era 15% inferior ao de seus pares internacionais, tornou-se 15% superior
Agora, falemos sobre
tributação e competitividade. O que muitos no setor público hoje não
conseguem reconhecer é que o desafio da competitividade é mundial. Capital e
mão-de-obra conseguem se mover tão rapidamente de um lugar para outro, que a
única maneira de impedir que as empresas saiam de um país é dando a certeza de
que o clima de negócios no seu país é melhor que o de qualquer outro.
Sob este aspecto, houve
uma circunstância muito interessante na Irlanda. A União Europeia, liderada
pela França, foi muito crítica em relação à política tributária irlandesa —
particularmente na que diz respeito às empresas —, pois os irlandeses haviam
reduzido alíquota do imposto de renda de pessoa jurídica de 48 para 12%, e,
como consequência, várias empresas se mudaram para a Irlanda. A União Europeia
queria impor uma penalização à Irlanda, na forma de um imposto de renda de
pessoa jurídica de 17%, de modo a que o país ficasse alinhado com outros países
europeus.
Desnecessário dizer que
os irlandeses não aceitaram nessa ideia. A Comunidade Europeia respondeu
dizendo que o que os irlandeses estavam a fazer era injusto e contrário à ideia
de competitividade. O ministro das finanças da Irlanda concordou: ele destacou
que o governo da Irlanda estava cobrando 12% das empresas ao passo que cobrava
dos seus cidadãos apenas 10%. Ato contínuo, a Irlanda reduziu a alíquota
de impostos para as empresas para 10% também. Mais uma batalha que os
franceses perderam!
Quando nós, na Nova
Zelândia, analisamos o nosso esquema tributário, encontramos um sistema
extremamente complicado, o qual distorcia tanto os empreendimentos quanto as
decisões privadas. Consequentemente, fizemos as seguintes perguntas para nós
mesmos: o nosso sistema tributário estava preocupado em coletar receitas?
Estava preocupado em coletar receitas e também em prestar de serviços sociais?
Ou estava preocupado em coletar receita, em prestar serviços sociais e em
alterar comportamentos? Decidimos então que serviços sociais e questões
comportamentais não tinham lugar em um sistema racional de tributação.
Ato contínuo, decidimos
que só teríamos dois mecanismos para obter receitas — um imposto sobre a renda
e um imposto sobre o consumo — e que iríamos simplificar estes mecanismos e
reduzir as alíquotas ao máximo possível.
Reduzimos a alíquota
máxima do imposto de renda de 66 para 33% e fixamos essa taxa para todos os que
tinham rendimentos mais elevados. Além disso, reduzimos a alíquota mínima de 38
para 19%, a qual se tornou a taxa fixa para a população de menor renda. Em seguida,
definimos uma alíquota de imposto sobre o consumo de 10% e eliminamos todos os
outros impostos — impostos sobre ganhos de capital, impostos sobre a
propriedade etc.
O que realmente
aconteceu foi que acabamos coletando 20% mais receitas do que antes. Por quê?
Porque se as alíquotas são baixas, os pagadores de impostos mais ricos
não irão contratar advogados e contadores caros para encontrar brechas na
legislação. Simplesmente não compensa. Com efeito, todos os países
do mundo que pesquisei que simplificaram e reduziram dramaticamente as suas
alíquotas de imposto terminaram com mais receita, e não menos.
E quanto às
regulamentações? O poder regulador é normalmente delegado a funcionários que
não foram eleitos, os quais então restringem as liberdades das pessoas sem
serem cobrados e punidos por isso. Essas regulações são extremamente difíceis
de serem abolidas uma vez implantadas. Mas nós encontramos uma maneira:
simplesmente reescrevemos os estatutos em que as regulações estavam baseadas.
Por exemplo, reescrevemos
as leis ambientais, transformando as mesmas na Lei de Gestão de Recursos —
reduzindo uma lei que tinha 25 polegadas de espessura (63,5 cm) para 348
páginas. Reescrevemos o código tributário, todo o código florestal e de
exploração agropecuária, e as leis sobre segurança e saúde no trabalho. Para
fazer isso, juntamos os nossos cérebros mais brilhantes e dissemos a eles para
partirem do princípio de que não havia nenhuma lei pré-existente e que deveriam
criar o melhor ambiente possível para a indústria prosperar.
Estas novas leis, com
efeito, revogaram as antigas, o que significa que todas as regulações vigentes
— todas, uma por uma.
Pensar de forma
diferente sobre o governo
Deixem-me compartilhar
uma última história: o Ministério dos Transportes veio até nós um dia para nos
dizer que tinham de aumentar as taxas para as carteiras de habilitação. Quando
perguntamos o porquê, eles disseram que os custos para renovar uma carteira não
estavam sendo totalmente cobertos pelas taxas vigentes. Então perguntamos
por que o governo deveria estar envolvido nesse tipo de atividade. Os
funcionários do Ministério dos Transportes claramente pensaram que essa era uma
pergunta muito idiota. "Todos precisam de uma carteira de
habilitação", disseram eles.
E então respondi que
recebi a minha quando tinha 15 anos, e ainda perguntei: "Como é que emitir
uma nova carteira testa a competência do condutor?". Demos a eles
dez dias para pensar sobre isso.
Em um determinado dia,
eles disseram que a polícia precisa das carteiras de habilitação para fins de
identificação. Respondemos que este era o propósito de uma carteira de
identidade, não de uma carteira de habilitação.
Finalmente, eles
admitiram que não conseguiram encontrar uma boa razão para o que estavam
fazendo — por isso, extinguimos todo o processo.
Agora, uma carteira de
habilitação é válida até a pessoa fazer 74 anos, data após a qual deve fazer um
teste médico anual para garantir que ainda é competente para dirigir. Assim,
não apenas não precisávamos de novas taxas, como ainda eliminamos todo um órgão
estatal.
Isto é o que eu quero
dizer quando exorto a "pensar de forma diferente sobre o governo". É
nesta direção que um governo tem de se mover.
Maurice McTigue participou intensamente de todo o processo de desregulamentação do mercado de trabalho, do sistema de transportes e da economia geral da Nova Zelândia nas décadas de 1980 e 1990.
Postei
Como a Nova Zelândia reduziu o estado, enriqueceu e virou a terceira
economia mais livre do mundo
- austeridade monetária e fiscal,
- redução dos privilégios,
- abolição de várias tarifas
protecionistas,
- redução dos impostos,
- forte redução da máquina pública,
com a demissão de vários funcionários públicos,
- Líderes de cada órgão do governo
passaram a ser escolhidos com base em critérios rigorosos e contratos a termo:
cinco anos com uma possível extensão de mais três anos
- fazendo a pergunta : "Quem
deveria estar pagando por isso — os pagadores de impostos, o usuário, o
consumidor ou a indústria?". Perguntaram isso porque, em muitos casos, os
pagadores de impostos estavam subsidiando coisas que não os beneficiavam.
O que dizer sobre a invasão governamental que ocorreu sob a
forma de subsídios da Nova Zelândia?
Em primeiro lugar, temos de reconhecer que
o principal problema dos subsídios é que eles tornam as pessoas dependentes; e
quando você torna as dependentes, elas perdem a sua criatividade e toda a sua
capacidade de inovação, tornando-se ainda mais dependentes.
Deixem-me dar um exemplo: em 1984, 44% da
renda da criação de ovelhas na Nova Zelândia era oriunda de subsídios do
governo. O produto principal era o cordeiro e, no mercado internacional, o
cordeiro era vendido a 12,50 dólares americanos (com o governo neozelandês
fornecendo mais 12,50 dólares americanos) por unidade. Nós então abolimos, em
apenas um ano, todos os subsídios. Obvia- mente, os criadores de ovelhas não
ficaram nada satisfeitos.
Porém, tão logo eles perceberam que a
decisão era permanente, que os subsídios não iram voltar, eles montaram uma
equipe de pessoas encarregadas de descobrir como poderiam obter 30 dólares por
unidade. A equipe concluiu que isso seria difícil, mas não impossível.
Era necessário produzir um produto inteiramente diferente, processá-lo de uma
maneira diferente e vendê-lo em diferentes mercados.
Dois anos se passaram e, em 1989, haviam
conseguido converter o seu produto de 12,50 dólares em algo cujo novo valor era
de 30 dólares. Por volta de 1991, valia 42 dólares; em 1994, valia 74 dólares;
e em 1999, valia 115 dólares.
PAGINA REFLEXOES DA DIREITA
BATE-PAPO SOBRE TRIBUTACAO E COMPETITIVIDADE
O que muitos no setor público hoje não conseguem reconhecer é
que o desafio da competitividade é mundial. Capital e mão de obra conseguem se
mover tão rapidamente de um lugar para outro, que a única maneira de impedir
que as empresas saiam de um país é dando a certeza de que o clima de negócios
no seu país é melhor que o de qualquer outro.
Sob este aspecto, houve uma circunstância
muito interessante na Irlanda há uns tempos atrás. A União Europeia, liderada
pela França, foi muito crítica em relação à política tributária irlandesa —
particularmente na que diz respeito às empresas —, pois os irlandeses haviam
reduzido alíquota do imposto de renda de pessoa jurídica de 48 para 12%, e,
como consequência, várias empresas se mudaram para a Irlanda. A União Europeia
queria impor uma penalização à Irlanda, na forma de um imposto de renda de
pessoa jurídica de 17%, de modo a que o país ficasse alinhado com outros países
europeus. Pagina Reflexões da Direita
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