PRECISAMOS FALAR DE ''CAPITALISMO DE QUADRILHAS''
Há o capitalismo de estado e há o capitalismo de livre mercado. Um é o oposto do outro.
No capitalismo de estado - também chamado de “capitalismo de quadrilhas” ou “capitalismo mercantilista” -, políticos concedem a seus empresários favoritos -- que não gostam de concorrência -- uma ampla variedade de privilégios que seriam simplesmente inalcançáveis em um genuíno livre mercado. Em troca, recebem propinas e agrados.
Sob esse arranjo, o mercado é artificialmente moldado por uma relação de conluio criminoso entre políticos, burocratas, reguladores e as grandes empresas. Tem-se um capitalismo dirigido e deturpado por políticos em prol de seus empresários favoritos. E com o dinheiro do povo.
Por meio de regulamentações que impõem barreiras à entrada da concorrência no mercado (via agências reguladoras), por meio de subsídios a empresas favoritas, por meio do protecionismo via obstrução de importações, e por meio de altos tributos que impedem que novas empresas surjam e cresçam, o governo acintosamente cria e protege monopólios, oligopólios, cartéis e reservas de mercado.
Esses são os privilégios legais, os quais também incluem até mesmo coisas mais paroquiais, como a obrigatoriedade do uso de extintores e do kit de primeiros socorros nos automóveis (o que traz altos lucros para as empresas que os fabricam e fornecem) e a obrigatoriedade do uso de canudinhos plastificados (devidamente fornecidos pela empresa lobbista) em bares e restaurantes.
Mas há também os privilégios ilegais. E estes vão desde fraudes em licitações a superfaturamento em prol de empreiteiras (cujas obras bilionárias são pagas com dinheiro público), passando por coisas mais simples como a concessão de bandeiras de postos de combustíveis para empresários que pagam propina a determinados políticos (bandeiras essas negadas para empresários honestos e menos poderosos).
Em troca desses privilégios anti-mercado, os empresários beneficiados lotam os cofres de políticos e reguladores com amplas doações de campanha e propinas.
Tudo isso só é possível porque há um estado grande que a tudo controla e tudo regula.
Um estado grande sempre acaba convertendo-se em um instrumento de redistribuição de riqueza: a riqueza é confiscada dos grupos sociais desorganizados (os pagadores de impostos) e direcionada para os grupos sociais organizados (lobbies, grupos de interesse e grandes empresários com conexões políticas).
A crescente concentração de poder nas mãos do estado faz com que este se converta em um instrumento muito apetitoso para todos aqueles que saibam como manuseá-lo para seu benefício privado.
Trata-se de um câncer que compromete e definha o genuíno capitalismo, o qual nada tem a ver com privilégios, proteções, subsídios e reservas de mercado, mas sim com competição, abertura e liberdade de empreendimento.
Temos hoje um capitalismo regulado em prol dos regulados e dos reguladores, e contra o povo. A exata antítese de um livre mercado.
Só há uma forma de acabar com isso
Texto de Instituto Mises Brasil
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